Melissa, jovem italiana recém chegada ao Brasil, discursava sua infantilidade e jeito de levar a vida, na reunião na casa da sua amiga Fernanda.
Enquanto Mariano cuida de seu filho, ela vai até o local mais precário da pequena cidade em que vive para ter um pouco da vida nuvem, dos arrepios risonhos, do idioma babel, dos abraços feminis e da corrida incessante de não sentir-se com o sangue forte da província mesma de Romeu e Julieta.
Eram duas ou três horas de viagens a todos os lugares que se sonhavam, lugares onde os desafios eram inexistentes, os problemas eram apenas números no sol e quocientes na areia, e as lágrimas eram parte do céu que estava no mar.
As águas que ali passavam tinham o cheiro senão pior que os restos que o nosso organismo rejeita. O chão, ainda de terra, precário, mostravam como era o homem que se preocupa com a vida dos atores de televisão.
Do outro lado da cidade, Mariano se desesperava enquanto a sua pequena casa (construída de acordo com seus árduos passos e grudados com o suor que do seu corpo caíam queimado pelas desgraças da vida) queimava por causa do pedaço de papel enrolado com fragmentos da química nicotina, cujo mesmo fora queimado com o fogo de quem se perde das vontades de Deus.
E Melissa, Fernanda, Augusta, Rose, sorriam vagamente pela anti-gravidade que as dominava e depois que o desânimo as pega de surpresa, e a fúria tende a crescer dentro de si, elas descansam ternamente do seu desassossego e logo após retornam para as suas moradias.
Quando eu disser que sou o oposto da “mente-carnal-humana-materna”, nunca duvide que as carreiras brancas já me afetaram, que as novelas e revistas influenciam no cérebro humano a ponto de fazê-los esquecer que os comandantes usufruem da sua falta de inteligência e motivação para esquecê-los às margens das suas próprias defecações.
Como consequência dessa maioria, os poucos que lutam por um futuro, se é que vocês sabem que ele existe, assim como eu tenho essa dúvida também por sua causa, estes poucos sofrem com as perdas daquilo que conquistaram mesmo sendo pisados pelo sistema e suas máquinas de fazer inutilidades.
Uma salva de palmas para os palhaços que se escondem da sua realidade nas carreiras brancas de lucidez. E uma enxurrada de surras para aqueles que se sentam sob a luz da cruz e andam, caçam, cortam, pegam o pesado arder do astro duvidosamente amarelo que no céu se prostra. Este, ainda que se mostre imponente, ainda que explique que há alguma luz em nós e em tudo isso, ainda que se esforce para que possamos ver, este desde que o humano foi criado, se deita e foge de nós, troca turno com a cinzenta e luminosa. E ambos fazem isso diariamente, porque alguém nesse mundo tem que trabalhar para o bem universal, e esse alguém não é nenhum de vocês.

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